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Merufe, situa-se no sopé da Serra d’Anta, Serra que faz parte do maciço da Serra da Peneda, Está  a cerca de 14 km de Monção. Nos seus 2849 ha, é de longe a mais extensa freguesia do concelho e também já foi a mais povoada. Mas isso foi noutros tempos, quando a agricultura dava para viver e crescer nesta terra essencialmente agrícola com mais de oito séculos de história e que os rios Mouro e Vez tornaram ainda mais férteis e mais verdes. Tem por vizinhas directas as seguintes freguesias: a norte, Longos Vales, Barbeita e Segude ; a sul, o rio Vez ligando à freguesia de Sistelo; a nascente, Podame e Tangil e a poente, Lordelo e Anhões. Todas as freguesias, com excepção de Sistelo (Arcos de Valdevez), pertencem ao concelho de Monção.

São seus lugares principais: Mosteiro, Parada, Sernados, Granja, Santo André e Portela do Alvite.
 
 
Povoação antiga, foi comenda a Ordem de Cristo e reitoria do ordinário. O seu topónimo  derivará do árabe e quererá significar “Coisa conhecida”. Grande couto, nasceu e cresceu à sombra de um convento de freiras beneditinas e em volta da família dos Abreus uma família coeva das lutas pela fundação nacional ou até mesmo do conde D. Henrique. Os Abreus aqui tinham quinta, couto e torre, com uma aldeia chamada Pica de Abreu, solar da família. Ao tempo do conde D. Henrique era já senhor deste território Gonçalo Rodrigues de Abreu, e seu filho e sucessor no senhorio, Lourenço de Abreu (que viria a levantar o Castelo de Lapela), serviu notavelmente o infante D. Afonso Henriques aquando do célebre Torneio de Valdevez.
A documentação de 1258, dá esta paróquia como pertencendo à diocese de Tuy, no território do Entre Lima e Minho. Só em 1444, D. João I conseguiu que passasse para o bispado de Ceuta. Em 1512, o arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa, trocou a comarca eclesiástica de Olivença pela de Valença do Minho (da diocese de Ceuta) e integrou esta e outras paróquias na diocese de Braga. A paróquia teve outrora um convento de freiras beneditinas, extinto em 1461, tendo a partir daí como matriz, a igreja conventual.
Do mosteiro sabe-se que, em 1461, a abadessa D. Guiomar Rodrigues informou o rei D. João II da muita pobreza em que viviam e da falta de meios para sustentar a comunidade. O monarca, com a autorização do papa Xisto V, reduziu-o então a reitoria secular (passando a servir de igreja e residência paroquiais), dando-a aos arcebispos de Braga. As freiras foram mandadas para outros conventos da mesma ordem.   
A igreja de Merufe, conforme a vemos actualmente e por certo após várias reformas, conserva interiormente o rasgado da porta que dava comunicação com o convento. É do estilo barroco, com três naves de arcarias longitudinais apoiadas em colunas de fuste redondo. O pavimento foi alterado, soterrando as bases das colunas. No altar-mor sobressai uma rica talha dourada em cujos pilares estão as imagens do padroeiro S. Pedro e de S. Paulo. Os altares, também em talha dourada e construídos segundo os moldes da Renascença, foram falseados por tintas. A entrada, no baptistério existe uma antiga pia baptismal. O exterior do templo é românico, tendo-lhe sido acrescentada uma torre no século XVIII.
A  povoação é dominada pelo belo edifício da Junta de Freguesia. Inaugurado em 22 de Setembro de 1992, resulta da recuperação e aproveitamento exemplares do antigo celeiro do concelho. O velho casarão vinha servindo, nos últimos anos, de escola e residência de professores, mas perdeu esta utilidade após a construção da moderna escola do núcleo do Mosteiro.
Trata-se de uma obra, feita em pedra da região e por artistas da freguesia, que se evidencia pelos seu aspecto monumental (refere-se que há quem afirme ser esta a mais bonita sede de Junta do país) mas onde o serviço às populações ganhou uma nova dimensão de funcionalidade.
No segundo andar estão instalados os serviços da autarquia, com gabinetes adequados e salão nobre de reuniões para as sessões da Assembleia de Freguesia. Aqui funcionam também espaços para a formação profissional e de informação do Centro de Emprego.
O primeiro andar está ocupado com um posto médico e de enfermagem, com secretaria, sala de espera e gabinetes médico e de enfermagem devidamente equipados.
O Grupo Folclórico das Lavradeiras de S. Pedro de Merufe, outro dos orgulhos dos Merufenses, tem sede instalada ainda no primeiro andar do edifício (onde nascem os alicerces de uma sala museu) e ensaia no rés-do-chão (salão polivalente, com palco e balneários).
Merufe é uma terra intensamente agrícola, onde o trabalho, a etnografia e o folclore se confundem. Em 1972, aquando do cortejo etnográfico-folclórico do concelho de Monção, surgiu a ideia de formar nesta freguesia um grupo folclórico que honrasse e prolongasse as tradições locais.
Um activo núcleo de fundadores logo deitou mãos à obra. Percorreu a freguesia de ponta a ponta na recolha, entre as pessoas mais idosas, de danças, cantares e trajes. Por outro lado, a adesão da juventude da terra foi total, devotando-se de alma e coração aos saberes da arte de continuar os cantares e dançares, usos e costumes dos seus avós.
Desde então, constantemente solicitado para festivais, festas ou romarias e outras representações, o Grupo Folclórico das Lavradeiras de S. Pedro de Merufe acabou por transformar-se num lídimo embaixador da tradição etnográfica-folclórica da freguesia e do concelho de Monção, granjeando fama aquém e além-fronteiras.
O seu repertório é vasto e genuíno. Ao som da concertina, da harmónica, dos acordeões, viola, cavaquinhos, bombo, ferrinhos, pandeireta e castanholas, os rapazes e as raparigas de Merufe cantam e dançam com a mesma verdade com que cantavam e dançavam os seus antepassados. Dos seus trajes de noivos, de feira, de missa, de festa, de viúva, de lavradeira, de monte, de domingo, de lavradeira rica, de pregoeiros, de romaria do monte e de lavradores a regar —, merecem especial realce os do trabalho, e principalmente os das mulheres, em que a saia é às riscas verticais, tecida em lã de ovelha, nas suas cores naturais, branco e castanho; colete e blusa de linhos, tecidos, tal como a saia, nos teares manuais da região. Completam os conjuntos lenços variados, mas com mais frequência nos tons escuros. As moças usam ainda peúgas de lã, célebres por servirem, no Verão, para conservarem as pernas brancas.
São as seguintes as fundamentais danças e cantares que o grupo apresenta e que o individualizam:       “Rusga de Merufe” — dança e cantiga que os antigos usavam sempre que se dirigiam às romarias de Nossa Senhora da Peneda, S. Bento e outras; logo que chegavam ao adro, vai de cantar e dançar.
 “Cana Verde (Picada)” — quando, nas grandes noitadas de Inverno, se manipulava o linho (partir, espadelar, carpear ou fiar), havia sempre um velho que dizia “Basta de fiar, e vamos à dança e ao desafio!”, ali se formava uma dança em roda, e um rapaz e uma rapariga cantavam, alternadamente, quadras repassadas de amor e jocosidade.       “Chula Merufense” — dança usada no final das desfolhadas, improvisada em plena eira.
 “Verde Raia” — dança que revela as afi­nidades minhoto-galaicas, resultantes dos frequentes contactos, a todos os níveis, com nuestros hermanos.
 “Malhão da Serra de Anta” — muito característica dos povos do perímetro das serras de Anta e Peneda, era dançada em plena romaria.
“Bate Certo” — dança muito movimentada, muito usada não só em romarias mas também em desfolhadas, espadeladas e fiadas. Por via do grande esforço a que obrigava, era muitas vezes usada como espécie de bota-fora por cansaço.
 “Lavradeiras na Eira” — dança em estilo romano, quase sempre executada na eira, no fim dos trabalhos.
 “Vira Merufense” — dança que os antigos dançavam sempre que se despediam da­queles que, na feira ou na romaria, haviam tido a gentileza de os escutar.
 “Senhora da Peneda” — cantiga de andar caminho que os antigos cantavam serra fora e no adro da capela e romaria de Nossa Senhora da Peneda, dando razão ao velho rifão minhoto “O povo canta, o povo dança, o povo reza”.
Igualmente famoso, mas agora no campo da gastronomia regional, o cabrito assado à moda de Merufe entra no desafio pela primazia como cartão-de-visita da freguesia. Com mais ou menos segredo e temperos guardados, é, em traços gerais, confeccionado como se segue, aqui residindo a sua peculiaridade: depois de morto, esfolado e bem limpo, o cabrito é aberto e recheado com os próprios miúdos, a que se junta pão de trigo. É então convenientemente costurado e levado ao forno de pão num alguidar de barro no qual já se encontra o arroz previamente preparado com calda própria.
De acordo com a informação da Junta de Freguesia, apesar de existir uma área prevista no PDM para a instalação de pequenas indústrias, a verdade é que não tem havido investimento no sector secundário.
Apenas a construção civil e a extracção e preparação de granitos e uma ou outra oficina de serralharia, vão dando algum trabalho. O desemprego ainda se faz sentir e a falta de condições ainda afasta alguns casais para fora da freguesia. O comércio local, está praticamente reduzido à venda de produtos alimentares de primeira necessidade ou a produtos de consumo corrente e diário, sendo necessário recorrer para quase tudo, ou a Monção (15 km), ou à feira quinzenal que se realiza em Portela do Alvite. Esta é uma importante feira de gados, à qual acorre gente de toda a região.
Do ponto de vista do equipamento básico, a freguesia apresenta algumas carências graves: a rede pública de abastecimento de água ao domicílio funciona em cerca de 40% dos alojamentos; não existe saneamento básico e a recolha de lixos domésticos, apenas se faz uma vez por semana e em metade das casas da freguesia. Os acessos viários internos, também não facilitam a passagem dos carros de recolha. Quanto aos acessos ao exterior, eles assentam fundamentalmente na E.N. 304 e nas carreiras regulares que nela circulam.
A freguesia dispõe de uma escola para o ensino pré-primário, e outra para o ensino do primeiro ciclo básico, esta servida por refeitório. Para os restantes níveis de ensino, as crianças deslocam-se a Tangil (4 km) ou a Monção (a 15 km).
Na área dos equipamentos de saúde a situação é ainda menos positiva. A população depende totalmente de Monção que, diga-se, também não está bem equipada neste aspecto. A falta dum centro de saúde é, aliás, uma das reclamações mais repetidamente ouvidas nesta freguesia. A verdade é que o centro até já existiu, mas foi fechado, apesar de ser um dos mais bem equipados da região...
No aspecto social, apenas há referência a um jardim infantil, sendo reclamado um centro de dia para apoio aos mais idosos.
A população não entende, este abandono, até porque a Junta de Freguesia possui excelentes instalações capazes de obviar ou ajudar a resolver algumas destas situações. Trata-se dum imóvel que já foi celeiro do concelho e que está totalmente recuperado na sua traça e beleza iniciais, sendo mesmo considerado como o mais belo edifício autárquico do País. Pelo menos é belo, digno e funcional, o que permitiria ainda uma maior funcionalidade nos serviços de apoio à população. Actualmente, para além dos serviços próprios da Junta de Freguesia, funcionam aí, o Centro de Emprego e Apoio à Formação Profissional, uma pequena sala-museu para as inúmeras recolhas etnográficas em que a população está exemplarmente empenhada, um salão polivalente para ensaios e outras actividades culturais, etc. As instalações são intensamente aproveitadas pelas colectividades locais, entre as quais a Associação Desportiva Cultural e Recreativa “Os Amigos de Merufe” e pelo Grupo Folclórico das Lavradeiras de S. Pedro de Merufe. Este agrupamento é como que o embaixador oficial de Merufe para o exterior e não só de Merufe, mas também da riqueza etnográfica e folclórica do Alto Minho. Nascido em 1972, conseguiu catapultar o entusiasmo de todos, tendo entrado pela via correcta da recolha, do estudo e preservação do património cultural. Daí que no seu vasto reportório se note uma genuinidade e uma pureza que, por regra, falta neste tipo de iniciativas.
Ao som da concertina, da harmónica, dos acordeões, viola, cavaquinhos, bombo, ferrinhos, pandeireta e castanholas, os rapazes e raparigas de Merufe cantam e dançam com a mesma verdade com que cantavam e dançavam os seus antepassados. Dos seus trajes – de noivos, de feira, de missa, de festa, de viúva, de lavradeira, de monte, de domingo, de lavradeira rica, de pregoeiros, de romaria do monte e de lavradores a regar – merecem especial realce os do trabalho, e principalmente os das mulheres, em que a saia é às riscas verticais, tecida em lã de ovelha, nas suas cores naturais, branco e castanho; colete e blusa de linhos, tecidos, tal como a saia, nos teares manuais da região. Completam os conjuntos lenços variados, mas com mais frequência nos tons escuros. As moças usam ainda peúgas de lã, célebres por servirem, no Verão, para conservarem as pernas brancas.
São vários os pólos de atracção turística existentes nesta freguesia, que, através de uma política de desenvolvimento através da área do turismo, bem poderiam servir de suporte às actividades económicas de Merufe. O seu património cultural e edificado, com destaque para o edifício onde funciona a Sede da Junta, a igreja paroquial e o núcleo museológico da Serra D'Anta, com várias antas e dólmens e donde podem ser apreciadas belas paisagens sobre a freguesia e as zonas ribeirinhas dos rios Mouro e Sucastro com as suas praias fluviais.
 
( Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI )